O que é essencial?

05 setembro 2016




Resolvi escrever este artigo e publicá-lo aqui no blog com o intuito de compartilhar experiências que tenho observado na caminhada como líder e pastor em uma igreja local. Conheci pessoas que eram ativas nos ministérios, envolvidas em todas as atividades, sempre disponíveis para todos os eventos e cargos e que após algum tempo nessa frenética maneira de servir, simplesmente cansaram-se e abandonaram tudo. A igreja, como instituição, é carente de voluntários. E essa carência faz com que qualquer um que se disponha para ajudar seja “explorado” de todas as formas. Mas por que isso acontece?

“Não peque pelo excesso!” Se este conselho já era importante em outras épocas, tornou-se imprescindível nos dias atuais. As muitas possibilidades de escolhas, a influência externa sobre nossas decisões e o despreparo para lidar com essa variedade, nos impulsiona a optar por tudo ou a aceitar todos os convites que nos são feitos. Ou pelo menos, quase todos. Temos diante de nós um leque com infinitas possibilidades e um emaranhado de opiniões sobre qualquer assunto, porém, continuamos com as mesmas limitações de tempo e disposição de antes ou numa linguagem mobile: temos vários aplicativos e pouca bateria. Essa crise entre a diversidade e a incapacidade de administrá-la é chamada por alguns psicólogos de “fadiga decisória”.

Essa fadiga moderna não é causada apenas por estarmos hiperconectados, mas também por vivermos em uma sociedade altamente sobrecarregada de pseudo-especialistas em quase tudo, o que ampliou as expectativas e as exigências, gerando pessoas mais estressadas, que tentam se encaixar nesse universo desiquilibrado e tem medo de decepcionar as demais. É fácil comprovarmos essa realidade quando olhamos ao redor e notamos que as pessoas estão multiatarefadas, cercados por multitelas e falando com inúmeras pessoas simultaneamente.

Neste contexto de escassez de prioridade, é valido trazer ao debate o conselho de Paulo à igreja em Tessalônica: “Examinai tudo, retenha o que é bom” (Tessalonicenses 5:21).

Falta-nos capacidade e coragem para reter apenas o que nos é útil. Digo capacidade, não cognitiva, pois, digo por experiência pessoal, que sabemos o que é bom. Emprego capacidade aqui no sentido de força de fazer escolhas necessárias e essenciais. E coragem para dizer não ao que é excesso. É extremamente importante repensar o significado da palavra prioridade.

Segundo McKeown, o emprego da palavra no plural, prioridades, retira dela todo o seu significado, que seria “a primeiríssima coisa” e a transforma em “primeiros lugares”, assim, colocamos inúmeras decisões e compromissos como inadiáveis, ou por dúvidas diante das ofertas ou por receio de recusar aquele compromisso social ou profissional e decepcionar as pessoas.

A melhor maneira de evitar essa fadiga e estresses na caminhada cristã é entender que fomos chamados para servir à Cristo, não para fazer malabarismo no templo. Há uma necessidade urgente de compreendermos que não é sadio assumirmos vários ministérios simultaneamente e termos uma agenda cheia de segunda a segunda sem nenhuma pausa para o lazer, seja individual ou familiar. Precisamos entender que dizer "não" há um convite não é deselegante ou pecado. Nós não precisamos estar em todos os lugares, eventos e reuniões.

Defina qual a sua prioridade. Examine tudo e retenha o que é bom.
Vida o essencial!

Que o Deus te paz nos conduza em santidade, comunhão e alegria.


 

Um comentário:

  1. Caraca que texto incrível! Curti! Essencial é viver na plenitude de Deus o resto é resto haha

    abraços!
    Vinicius Castro

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